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    MUDANÇA

    ESTE BLOG AGORA TEM NOVO ENDEREÇO:

    http://t-brasilis.blogspot.com/

     



    Escrito por Cuca Pipoca às 15h29
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    MAS QUE OUSADIA ....

    WORDS

     (celina ishikawa)

     

    W. wondered why

    A wrinkled woman

    Washing the window

    Would waltz in the winter

     

    W. wondered what

    Would a white whale

    Weep in the water.

     

    W. wondered when

    Warmth will walk

    Worldwide.

     

    W. wondered who

    Will watch the wind

    Wander without worries.

     

    W. wondered while

    A wild wolf walked away

    This week.

     

    W. wondered whether he

    Would write on all wonders

    With winged wrists.

     

     



    Escrito por Cuca Pipoca às 15h28
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    Exercício 12

    Poema com assonância em “a”

     

     (celina ishikawa)

     

     

    Lá no armário há

    Sandália de prata

    Sapato sem cardaço

    Casaco pesado e

    Laço amassado

     

    Lá na sala há

    Vaso trincado

    Quadro bordado

    Toalha furada

    Sofá desgastado

     

    Lá no quintal há

    Cachorrada

    Saia rasgada no varal

    Gato na árvore e

    Balde sem alça

     

    Lá na casa há

    Alma calma

    Aura solar

    Risada e

    Goiabada

     



    Escrito por Cuca Pipoca às 14h32
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    Exercício 11.a

    Poema aliterando “t, d”

     

    (celina ishikawa)

     

    Trilho do trem, trilho do trem, trilho do trem...

    Antigas bitolas estreitas: par-ti-da!

     

    Todo dia, dia todo, todos os dias,

    Travessias do trem do tempo

    Sem atraso, tempo contado

    Tic tac

    Tic tac, dois

    Tic tac, três

     

    Dia a dia, torna e retorna, torna e retorna

    Tic tac, dez

    Tic tac, doze

     

    Trechos e trechos de dormentes

    Troca de destinos nos

    Trilhos de trem, trilhos de trem, trilhos de trem.

     

    Habitantes ou forasteiros

    Solitários ou em tropas

    Retratos de retalhos trilhados.

     

    Trânsito de tramas e dramas,

    Trem é eterno contador de histórias,

    Repetidas na dança do

    Trilho do trem, trilho do trem, trilho do trem...

     

     

     



    Escrito por Cuca Pipoca às 12h37
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    Exercício 10.a

    Eu e a Natureza

     

     (celina ishikawa)

     

    Vi vestido de pétalas brancas e rosa.

    Vi dedos verdes de clorofila.

    Vi pegadas em terra vermelha de café.

    Vi tiara de pássaros dourados.

     

    Com suas cores de cereja meu rosto pintei.

     

    Ouvi chinelos de palhinha entre os ramos,

    Ouvi seda farfalhar entre as folhas,

    Ouvi piados de adeus, adeus,.

    Ouvi ecos do mar no meio da frondosa copa.

     

    Sua música, na viola caipira toquei.

     

    Sonhei, em setembro, com floração de maio

    Sonhei com neve sob o ano solar.

    Sonhei com peixes coloridos na junta de dois rios.

    Sonhei com portas de papel em casa de barro.

     

    E pela terceira vez, imigrante mas não estrangeira, acordei.

     



    Escrito por Cuca Pipoca às 12h36
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    Exercício 10

    Eu e minha natureza

     

     (celina ishikawa)

     

     

    Se você procura, leitor

    Ave depenada,

    Riacho ressecado,

    Terra devastada,

    Aqui, não tenho nada.

     

    Sei leitor que você só quer

    Rio esquecido,

    Cão aprisionado,

    Mato destruído,

    Mas disso, esse poema é destituído.

     

    Xi leitor, se suas manhãs são

    De olhos em remela,

    Hálito estragado e

    Suores na testa,

    Já meus sonhos, são janelas.

     

    Leitor, talvez seu dia seja de

    Trigo pelo diabo amassado,

    Manteiga azedada,

    Café ontem coado.

    Eu sirvo morangos com leite condensado.

     

    Mas a bem da verdade leitor,

    Espinhos nas patas,

    Farpas entre os dentes,

    Comichões e caspas,

    Como você, tenho minhas escaras.

     

    Veja leitor, este poema não é só

    Golfinho sorridente,

    Filhotinho de panda

    Ou esqueleto contente!

    Isso sim seria muito deprimente!

      

    Assim, leitor, nas entrelinhas de

    Perfume de noz moscada ou rastro de cometa

    Instinto, intuição, inspiração

    Piolhos, relâmpagos e gametas,

    Minha natureza é só uma caneta.

     



    Escrito por Cuca Pipoca às 12h31
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    Exercício 9

    Metáforas (Era uma vez)

     

    (celina ishikawa)

     

     

    Grama frutificou

    Não foi dessa vez

     

    Laranja salgou

    Não foi dessa vez

     

    Regato raiou

    Não foi dessa vez

     

    Poeira derreteu

    Não foi dessa vez

     

    Morro desaguou

    Não foi dessa vez

     

    Dente lambeu

    Não, não foi dessa vez

     

    Ouvido berrou

    Não foi dessa vez

     

    Sovaco perfumou

    Não foi dessa vez

     

    Frieira esquentou

    Não foi dessa vez

     

    Estômago mastigou

    Não foi dessa vez

     

    Micose enfeitou

    Não foi dessa vez

     

    Minhoca correu

    Cachorro zumbiu

    Grilo acendeu

    Passarinho miou

    Vespa beijou

    Não foi ainda dessa vez

     

    Chorei só uma vez na vida,

    Foi quando nasci!



    Escrito por Cuca Pipoca às 12h29
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    Exercício 8

    Poema com assonância em “ô, õ”.

     

     

    Ô dor sem contorno,

    Ô choro sem consolo

    Ô calor, estupor

    Ô rolo compressor.

     

    Ô sono sem repouso

    Ô andor sobre meus ombros

    Ô lombo sem pouso

    Ô sombra de gafanhotos

     

    Ô moço, meu moço

    Broto do meu abdômen

    Sonho sem reembolso

    Ô poço, meu poço.

     

    Moço, meu moço

    Corpo sem controle

    Garoto do olho absorto

    Garoto do pescoço torto

     

    Poço, meu poço

    Esforço em desgosto

    Ronda longa, longa

    Ônibus trambolho

    Restolho de pessoa

     

    Moço, meu moço

    Sofro, sofro

    Boca sem sabor

    Colosso torpor

    Trono moedor

     

    Ô folha marrom

    Ô fogo morno

    Ô dor,

    Ô, meu amor...



    Escrito por Cuca Pipoca às 12h29
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    Exercício 7

    Poema com assonância em "u"

     

     (celina ishikawa)

     

     

    Uma música culta

    Uma partitura fecunda

    Um alaúde de plumas

    Uma impúbere figura

    Uma futura lua.

     

    Incomum lume de lustro rústico.

     

     

     

    Um súbito turno,

    Um recuo em amargura.

    Um susto de angústia.

    Um lusco-fusco

    Um público surdo.

     

    Inconclusa, a música em tortura se procura.

     

     

     

    Uma espelunca,

    Um zumzumzum,

    Um soturno murmúrio,

    Uma jura ao bruto,

    Uma fortuna sem custo.

     

    Lúgubre loucura a música ocupa e em escura busca se aventura.

     

     

     

    Um impuro obtuso

    Um Cujo

    Um chifrudo corrupto

    Um Lúcifer,

    Um Belzebu.

      

    Na cruza dos rumos, um monturo de estrume e um noturno ilustre.

      

     

     

    Um discurso subterfúgico,

    Um mergulho esdrúxulo,

    Um escudo difuso,

    Um embrulho fajuto,

    Um fumo turvo.

     

    Dúvida de repulsa ou volúpia; das fúnebres núpcias a música se avulta.

     

     

     

    Uma fúria,

    Um pulso,

    Um urro,

    Um perfume,

    Uma tribuna pública.

     

     

     

    Brusco, o Mulo em perjúrio retruca:

    Um tributo

    Uns juros

    Um graúdo

    Um custo

    Um injusto

     

    Fuga não se afigura; a música capitula à sulfúrica catacumba.

     



    Escrito por Cuca Pipoca às 12h28
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    Exercício 6

    RIACHO

     

     

    (celina ishikawa)

     

     

    Perene presença,

    Burburinho, burburinho, burburinho...

    Da rabeada de peixes,

    Bolhas em profusão.

     

    Sou caminho constante,

    Sou retrato refletido,

    Sou margem molhada,

    Sou folha flutuante.

     

    De dia, arco-íris;

    De noite, boto cor-de-rosa.

    De dia, mergulhos estridentes;

    De noite, coaxar de sapos.

    Líquido traçado de teus passos.

     

    Passos transparentes,

    Transparentes em pegadas,

    Pegadas fluídas,

    Fluídas cantorias,

    Cantorias do mato,

    Mato de cheiro,

    Cheiro de chuva,

    Chuva de regar,

    Regar a nascente,

    Nascente até a jusante,

    Jusante ao mar,

    Mar de histórias,

    Histórias de meus passos.



    Escrito por Cuca Pipoca às 12h27
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    Exercício 5

    Casa

     

     (celina ishikawa)

     

     

    Itinerário de viagem, passaporte no bolso,

    Afinal a despedida.

    Na porta, ainda o vidro quebrado;

    Instintivo, sinto meu punho se cerrar.

     

    Lugar tão empoeirado!

    Da escura escada sem corrimão,

    Vem um leve e velho tremor;

    Lembrança que teima em se desenterrar.

     

    Por quanto tempo carreguei

    Lata cheia de pedras.

    Agora, baixinho, um telefone mudo

    Fala sobre outro passado.

     

    Na saída, a grama está molhada;

    Deixo atrás todas as portas

    E janelas destrancadas;

    Não está mais o cão acorrentado.



    Escrito por Cuca Pipoca às 12h26
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    Exercício 4

     

     

    Poema aliterando "p,b"

     

     

    (celina ishikawa)

     

    No poste: Procura-se

    Perdeu-se Beagle

    Responde por Sombra.

    Preto, branco, bege,

    Pelo de pouco brilho,

    Pupilas opacas,

    Patas esburacadas

    Rabo apagado.

    Recompensa-se bem.

      

    Sombra não se perdeu;

    De bem pensado,

    Abriu o portão

    E partiu.

      

    Recompensa para Beagle:

    Boa pensão,

    Brincadeiras bobas

    Rebolados aloprados.

    Oposto ao passado,

    Passou a responder por Buscapé.

     



    Escrito por Cuca Pipoca às 12h26
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    Exercício 3

    Aliterando “P”

     

    (celina ishikawa)

     

     

    Procuro palavras para um poema

    Apenas palavras possuídas de poder

    Pequenas, expansivas, pensativas ou paliativas

    Pedras apoiadoras de pensamentos.

     

    A pouco me ocupou uma palavra pungente,

    Operei em aspectos opostos

    Porém, independente da posição,

    O poema pelejou, pelejou

    E não despontou.

     

    Palavra procurada

    Poema pálido

    Aposta perdida

    Palavra descumprida.



    Escrito por Cuca Pipoca às 12h24
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    Exercício 2

    TERRA

     

    (celina ishikawa)

     

     

    A ela o corpo foi baixado

    No chão, seu torrão,

    Um retângulo gramado.

    Nele, meus olhos que ela há de comer,

    Só conseguem ver com um nó

    A sua decomposição,

    Cinzas às cinzas, pó ao pó.

     

    O mesmo pó que, molhado,

    Ele girava e girava entre os dedos,

    Um retalho dela tomado.

    Vidas que ele fazia escorrer,

    No movimento contínuo do torno

    Consciente, quase sem medos

    Até endurecer no calor do forno.

     

    Ele, o torno; ela, o pó

    Agora são de ninguém.

    Sem mais razão para dó,

    Meus olhos enfim conseguem entender:

    Ele, tanta delicada força.

    Ela, tão azul também!

    Os dois vão num giro fazendo troça...

     



    Escrito por Cuca Pipoca às 12h24
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    Exercício 1

    Água

     

     

    (celina ishikawa)

     

    Corrente sem elo,

    Sem forma, se entrosa.

    Leito paralelo,

    Terceira Margem de Rosa.

     

    Dos homens, o rosto

    Empresta, a cor do lugar,

    Do barro, seu gosto.

    Passa sem mais repassar.

     

    Primeira palavra,

    Nascente da claridade,

    Mãmã, auau, áua,

    Diluída na saudade.

     

    Assim, de tão líquido,

    Rola o rio do tempo,

    Distorce o nítido.

    Maré de esquecimento.



    Escrito por Cuca Pipoca às 12h21
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